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Engenheiro mecânico diz à polícia que realizava trabalho voluntário no Parque Mutirama, em Goiânia

Engenheiro mecânico diz à polícia que realizava trabalho voluntário no Parque Mutirama, em Goiânia

O engenheiro mecânico José Alfredo Rosendo Coelho, de 55 anos, disse à Polícia Civil nesta quinta-feira (9) que prestava serviço voluntário desde o início do ano para a Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul), em Goiânia. O órgão é responsável pelo Parque Mutirama, onde um acidente com umo Twister deixou 13 feridos. Porém, ele não era o responsável técnico perante o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO).

“Ele prestava um tipo de assistência técnica à agência. Ele, como voluntário, não tinha subordinação, horário definido, tinha as pessoas que ele reportava na agência. O plano de manutenção estava em dia, agora a manutenção preventiva, minuciosa, estava prevista para 2018, que é quando faz o desmanche do brinquedo, a ultrassom, toda a verificação”, disse o advogado do engenheiro, Oderlei Lopes Machado, já que o cliente não quis se pronunciar.

Rosendo trabalhou por quase 14 anos para a Agetul. O contrato dele se encerrou no dia 4 de janeiro deste ano.

Atualmente, além do trabalho voluntário, o engenheiro participava de uma seleção do órgão. Após o acidente, o advogado disse que o cliente interrompeu o trabalho voluntário e não deseja mais continuar no processo.

 

Oderlei Lopes Machado representa o engenheiro José Rosendo (Foto: Paula Resende/ G1)

Oderlei Lopes Machado representa o engenheiro José Rosendo (Foto: Paula Resende/ G1)

O depoimento do engenheiro durou três horas, no 1º Distrito Policial de Goiânia. Responsável por investigar o caso, o delegado Izaías Pinheiro explicou que a declaração de Rosendo comprova que o parque funcionava de forma ilegal. Mesmo que tivesse um contrato voluntário, poderia tê-lo registrado junto ao Crea-GO.

“O parque não tinha responsável técnico e funcionava de forma clandestina. Isso implica as pessoas que estavam acima dele, como o superintendete, e devem responder pelos crimes que ali ocorreram”, afirmou o delegado.

Além de prestar depoimento, Rosendo apresentou vários documentos aos investigadores. Entre eles estavam contratos de trabalho e o plano de manutenção preventiva.

Pinheiro informou que vai verificar a autenticidade de alguns deles que não estavam timbrados. Ele também avaliará as informações dos documentos, como se os prazos estão dentro do padrão de manutenção.

 

Delegado Izaias Pinheiro analisa documentos apresentados por engenheiro  (Foto: Paula Resende/ G1)

Delegado Izaias Pinheiro analisa documentos apresentados por engenheiro (Foto: Paula Resende/ G1)

Para o delegado, é inadmissível que o brinquedo ficasse até seis anos sem ao menos uma inspeção visual.

“A forma que ele quebrou, de fora para dentro, era impossível não visualizar. Ele não quebrou, foi desgastando pela vida útil. O laudo do eixo é fundamental para saber a quanto tempo estava com fissuras, se tivesse feito a vistoria visual, teriam identificado”, crê Pinheiro.

O delegado informou que já ouviu novo testemunhas. Ele ainda aguarda o laudo da perícia do eixo e novos depoimentos, como do presidente da Agetul, Alexandre Magalhães.

Procurada nesta quinta-feira, a assessoria da Prefeitura de Goiânia não se posicionou até a publicação desta reportagem.

Anteriormente, Magalhães havia dito que Rosendo fazia a devida manutenção, apesar de atuar sem receber salários. “O engenheiro ia todos os dias ao parque e participava da manutenção que ocorria entre 7h e 9h da manhã, levantava o que precisava de fazer e depois ia embora. Ele não tinha salário, atuava voluntariamente. Quantas pessoas trabalham voluntariamente?”, questionou.

 
Mãe que filmou acidente no Parque Mutirama diz que viveu momento de pânico

Mãe que filmou acidente no Parque Mutirama diz que viveu momento de pânico

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) já havia informado, por meio de nota, que durante fiscalização realizada no dia 26 de janeiro deste ano, “foi constatada a inexistência de profissional da engenharia responsável pela manutenção dos equipamentos eletromecânicos”.

Sobre a questão, Magalhães disse que foi autorizado um processo seletivo para a contratação de um novo profissional, mas que devido a burocracia, pediu ao Crea um prazo para se regularizar, uma vez que o profissional em questão deveria ter Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), o que não era o caso de Coelho.

Acidente

O acidente aconteceu no último dia 26 de julho, quando o brinquedo Twister caiu enquanto estava em funcionamento. Uma das passageiras do brinquedo, a cabeleireira Alessandra Souza, filmou o passeio e registrou o exato momento em que o brinquedo caiu. Emocionada, ela relembrou o ocorrido e relatou o pânico que sentiu na ocasião, com medo de perder a filha, que estava sentada em outra cadeira do Twister (assista acima).

No total, 13 pessoas ficaram feridas. Entre elas está Iraci Francisca da Conceição, que teve ferimentos graves na perna e continua internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) em estado estável. De acordo com o boletim médico, divulgado na tarde desta quinta-feira, ela está orientada, consciente, se alimenta por via oral e respira de forma espontânea. Ainda não há previsão de alta.

A menina Leona Gonçalves Sales, de 9 anos, que também ficou internada no Hugo, recebeu alta médica na última sexta-feira (4). Após sair da unidade de saúde, a garota gravou um vídeo agradecendo apoio para a melhora dela.

Segundo o pai da criança, Frederico Alício de Sales, ela teve lesões no fígado e no rim, mas está se recuperando. “Ela está melhorando. Teve uma lesão abdominal e precisou ficar na Unidade de Terapia Intensiva. Agora, ela vai continuar se recuperando em casa”, afirmou.

 
Criança ferida em acidente no Mutirama recebe alta e agradece orações em vídeo

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Análise do brinquedo

A Polícia Científica realizou perícia no Twister e analisa o eixo central do brinquedo, que teria se rompido durante o acidente. Conforme os peritos, a peça já apresentava fissuras antes mesmo da queda.

Segundo o diretor do Instituto de Criminalística, Rodrigo Medeiros, a estrutura que sustenta o brinquedo partiu ao meio. Metade das cadeiras bateu no chão, e o restante ficou suspenso.

“Se o eixo estivesse intacto, ele resistiria todo o peso do equipamento, sem dúvidas. E é isto que vai ser avaliado, como ele estava no momento em que houve o rompimento. É um diâmetro de cerca de 16 centímetros. A composição deste material também vai ser avaliada, para saber se ainda tinha resistência para continuar em funcionamento”, disse Medeiros.

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) apura se o acidente com o Twister foi provocado por falta de manutenção. A promotora Leila Maria Oliveira esclareceu que depende de laudos periciais para determinar as responsabilidades pelo acidente. Ela destacou ainda que já existe um inquérito que tramita desde julho de 2016 sobre a segurança no local. Por isso, avalia, não será necessário abrir novo procedimento.

A empresa Astri Decorações Temáticas, que reformou o Twister por R$ 172 mil em 2012, relatou à TV Anhanguera que não fez a troca do eixo central do equipamento na época. Conforme laudo da companhia, no ano da obra, a peça da máquina era considerada apta para operar após testes.

O presidente da Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer (Agetul), Alexandre Magalhães, responsável pelo Mutirama, afirmou que não vê motivos para indenizar as vítimas do acidente.

Fonte: G1

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